Entrevista com Vanessa Oliva

vanessaVanessa Oliva é natural de São Paulo, tem 40 anos, é casada com Marcelo Cavatton, mãe do Pedro, tem como hobby frequentar a escola de samba Pérola Negra, é Mestre em Psicologia, atua como Diretora de Recursos Humanos na Aryzta Brasil e já trabalhou como executiva em outras corporações como Grupo Abril, Natura, MetLife e Quala Brasil entre outras.  Vanessa é naturalmente uma pessoa determinada e escolheu sua profissão com toda convicção aos 15 anos de idade, e é com essa característica marcante que vem conduzindo sua vida. Confira a estória de vida pra lá de interessante que ela contou ao Get Up Now!

 

 

 

Como aconteceu a sua escolha de carreira?

Sempre gostei de pessoas e de filosofia. Tive aula de psicologia no colegial e amei. Desde os 15 anos queria estudar psicologia.

Eu era muito nova, tinha 16 anos quando tive que decidir e não tinha tanto critério. Mas sempre escutei que esta faculdade era muito boa em psicologia, que eu poderia trabalhar, porque não era integral, e que tínhamos 5 estágios obrigatórios. Então, achei que sairia mais bem formada.

 

Quais foram os maiores desafios que você encontrou profissionalmente? 

Quando comecei a trabalhar em RH eu era muito nova e achava que precisava parecer mais velha e nunca podia falhar para ter credibilidade. Eu me exigia demais. Não relaxava. Então, talvez tenha perdido um pouco da diversão do período de faculdade, porque fazia inglês antes de ir trabalhar, ginástica na hora do almoço, trabalhava o dia todo, e a noite faculdade. Era um ritmo bem intenso.

Um dos meus maiores desafios foi montar uma empresa do zero. Sem escritório, sem benefícios e sem pessoas…. Além disso, nunca tinha cuidado de 2 áreas que ficariam sob minha responsabilidade. No início, só tinham estrangeiros com uma cultura muito diferente da nossa. Tive que ampliar a minha flexibilidade em 1000% e querer muito aprender da cultura da empresa, ter empatia na escala máxima para entender os motivos de tudo que acontecia e me sentir livre para reaprender uma nova forma de trabalho. Quando olho para trás, vejo que todas estas variáveis me fizeram muito mais completa e mais resiliente. Acredito que em condições desafiadoras temos sempre que pensar se vale a pena e que a decisão é sempre nossa, inclusive de curtir ou não uma condição tão complexa.

 

Conte-nos um case de sucesso da sua trajetória profissional.

Foi um team building para aproximar o presidente da empresa de seus colaboradores e exercitar a superação. O team building foi feito para 400 pessoas que tinham que construir uma casa em 6 horas. Foi um desafio desde a venda do projeto até a construção em si, pois eu e minha equipe assumimos o risco e tivemos que fazer acontecer. E, conseguimos! Além de tudo, o presidente virou o “cara”! Os colaboradores passaram a senti-lo muito próximo, fato este que facilitou que todos tivessem muito mais credibilidade na liderança da empresa.

E, outro grande, foi fechar uma empresa que eu ajudei a montar no Brasil e que impactamos mais de 6.000 pessoas, direta ou indiretamente. Foi um desafio de conhecimento técnicos de RH, leis, processos e um desafio emocional. Tive que me preparar muito, me apoiar em profissionais para garantir que eu estava cumprindo com todas as exigências legais e garantir que o os colaboradores diretos se sentissem bem e preparados para buscar novos trabalhos.

 

Conte-nos um case de insucesso e o que aprendeu com isso?

Ter mudando para algumas empresas sem ter avaliado a real situação da empresa. Aprendi que você “bate a cabeça” se você não avalia profundamente suas decisões.

E outro case, foi numa empresa que eu trabalhava e dei uma recomendação super estruturada sobre o negócio e riscos que correríamos e esta foi desconsiderada. Sabia que aquela decisão poderia trazer um risco imenso para a empresa, porém me envolvi além do que precisava e me estressei demais. Meu aprendizado foi que a nossa responsabilidade sobre uma empresa tem limites e temos que saber a hora de parar. Como sou muito apaixonada pelos assuntos, às vezes sofro e me estresso além do necessário. Ainda não sou phd neste assunto, mas já aprendi um pouco…

 

Quem são suas referencias profissionais?

Tive a sorte de trabalhar com excelentes profissionais e pessoas que me ensinaram, me formaram, e me desafiaram. Cintia Ferreira, Roseli Parrela, Maria Victoria Serrano e Mariangela Schoenacker marcaram muito positivamente minha formação. Cada uma com seu talento e brilho. Fui muito sortuda com as pessoas com quem trabalhei!

 

Em sua opinião, quais foram os fatores que contribuíram para o seu crescimento profissional?

Ter bons gestores, estar no lugar certo na hora certa e trabalhar muito! Não medir esforços para atingir meus objetivos e sempre respeitar a todos.

 

Quais são os conhecimentos, habilidades e atitudes que aqueles que desejam chegar ao cargo de Diretor de Gestão de Pessoas?

Orientação a resultados, preocupação com o clima e ambiente de trabalho, foco na estratégia de atrair e reter e os melhores talentos, ser parceira do negócio.

 

Em algum momento da sua trajetória profissional pensou em desistir e atuar em outra área e ou até mudar de profissão?

Sim. Acho que muita gente se questiona durante a carreira, principalmente quando você tem um filho. Então, busca alternativas, pensa em possibilidades, porque o seu filho passa a ser a coisa mais importante da sua vida. Mas aí você vê que mesmo mudando de prioridade, você precisa estar e fazer o que gosta para sentir-se feliz e completa.

 

Que dica você daria para quem almeja ocupar uma posição de Diretoria na área de Gestão de Pessoas?

O papel do RH é olhar as pessoas, os talentos, o clima, a cultura, entender do negócio, indicadores, entusiasme as pessoas, para que tudo isso favoreça a empresa. Trabalhe sempre pelas pessoas e pelo negócio com muito equilíbrio, trate bem e respeite a todos, e trabalhe muito, porque esta posição virá.

 

Quais foram as principais mudanças que você teve que fazer na passagem de Gerente para Diretora de RH?

Falando de tarefas: Para mim foi radical a mudança, porque eu era Gerente de DO e fui para uma nova empresa, como Diretora com a responsabilidade de DO, Comunicação Interna, Gestão do Conhecimento, Folha, Serviços Gerais (manutenção predial, limpeza, frota etc) e expatriados. Eu nunca tinha cuidado ou pensado em ter estas outras áreas comigo. Tive que abrir minha cabeça para aprender e gostar de folha, sindicato e entender de impostos, licenças, viagens etc. E, vários destes assuntos nunca tinham brilhado meus olhos. Mas foi ótimo!

Nas decisões, estilo de gestão e exposição, é outro mundo. É o momento que a sua opinião pode ser extremamente decisiva em alguns pontos, você corre mais risco, você não tem a “proteção” de um gestor numa escolha ou numa recomendação. Passa a ser uma posição mais solitária, pois alguns assuntos que você não tem com quem discutir… Meu estilo de gestão sempre foi o mesmo, só tive que sair ainda mais da execução e gerenciar mais de longe todas as entregas.

 

Frase Get Up Now! by Vanessa Oliva

Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante.

Apaixonada por gente! Gente foi feita para brilhar como diria o poeta e por isso dedico minha vida a ajuda-las encontrar esse brilho. Empresária na área de desenvolvimento humano, aprendiz da vida, curiosa, amo ler, ver filmes, estar com as pessoas que amo, conversar e não resisto a um pato no tucupí.

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